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| Japão inicia um novo ciclo de investimentos no Brasil |
| Gazeta Mercantil (http://www.intranews.com.br/interna.php?url=notici) |
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Yuji Watanabe deixa no próximo mês o comando da Japan External Trade Organization (Jetro) em São Paulo otimista em relação as perspectivas de negócios entre Brasil e Japão. O diretor presidente da agência de fomento ligada ao governo japonês discorda da opinião de especialistas de que o intercâmbio entre os países está enfraquecido e afirma que o Brasil começa a experimentar um novo ciclo de investimentos japoneses. "É errado pensar que as relações entre os países estão fracas. Estamos na quarta onda de boom de investimentos de empresas japonesas no Brasil", diz.
Entre 1951 e 2004, o Japão investiu US$ 17 bilhões no País, afirma Watanabe, citando dados do Banco Central. A maior onda de investimentos aconteceu durante o regime militar, entre as décadas de 60 e 70, com a entrada de 500 empresas japonesas no Brasil atuando em áreas como alumínio, celulose e siderurgia. O primeiro ciclo, no entanto, começou com compra de fazendas por grupos do Japão. Em seguida, durante o governo Juscelino Kubitschek, se consolidaram grandes investimentos nos setores de siderurgia, automotivo e algodão.
Em 2007, o Brasil recebeu US$ 500,94 milhões em aportes japoneses, valor inferior aos U$ 659,52 milhões de 2006, segundo o BC. Mas, para o presidente da Jetro, em mundo globalizado, somente a análise de números oficiais não revela a real dimensão da aposta do Japão no mercado brasileiro. "Atualmente, os investimentos vêm de filiais japonesas nos Estados Unidos e Europa. Não se sabe o movimento real, especialmente no setor manufatureiro."
Os argumentos de Watanabe têm como base, principalmente, números de projetos já anunciados por companhias japonesas no Brasil. Entre as áreas citadas por ele, estão os setores de siderurgia, papel e celulose, tecnologia, automotivo e energia.
A Nippon Steel, segunda maior siderúrgica mundial, anunciou no final do ano passado plano de US$ 8,4 bilhões para expandir a capacidade da Usiminas, da qual é acionista. Assim como outras companhias do setor, a empresa trabalha para não ser engolida pela gigante Arcelor Mittal. "A indústria siderúrgica vive uma reengenharia global", diz. Na mesma área, segundo Watanabe, a joint venture entre a francesa Vallourec e a japonesa Sumitomo Metal vai investir US$ 20 bilhões para fabricar tubos de aço sem costura em Minas Gerais.
"O setor automobilístico também planeja novos investimentos em grande escala para ampliar a sua participação no Brasil", acrescenta, citando ainda investimentos da Cenibra, empresa de papel e celulose de capital japonês, para ampliar sua produção. Além disso, avalia que a introdução do padrão japonês de TV digital pode criar novas indústrias e serviços no Brasil.
O setor de energia também está na mira de grandes grupos japoneses como a gigante Mitsui. Hoje, o mercado para o etanol brasileiro ainda é reduzido, mas a previsão é de que a mistura etanol-gasolina 20% da gasolina consumida no Japão até 2010. "Para exportar mais, o Brasil tem de criar um mercado maior", diz.
Diante desse cenário, Watanabe considera que teve a sorte ao reassumir a partir 2006 o comando da agência em São Paulo, que passará para as mãos do atual diretor da Jetro em San Jose, na Costa Rica, Ko Sasaki.
O presidente da Jetro afirma a que moratória da dívida externa, nos anos 80 já é uma página virada para os empresários japoneses. "O Brasil mudou totalmente especialmente no setor externo. Na época, quando havia um aumento de preço do petróleo, o País entrava em recessão. Agora não. Hoje, a Bovespa se recupera rapidamente de turbulências", afirma.
O presidente da Jetro só não mostra o mesmo otimismo em relação à possibilidade de assinatura de um acordo de livre comércio entre Japão e Brasil, que envolveria os outros países do Mercosul. "O Japão está começando a negociar com Austrália e Índia. Acredito que quando terminarem as negociações no leste da Ásia, o país deve se orientar para a América Latina e o Brasil", comenta. O Japão já possui acordos com o México e Chile.
Uma das dificuldades, afirma, é a força do setor industrial no Brasil. Segundo ele, hoje, um carro do modelo Corolla, da Toyota, é vendido por menos de US$ 20 mil no Japão. No Brasil, sai por US$ 40 mil. Se tivermos tarifa zero, em automóveis seria muito complicado", exemplifica.
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| data cadastro: 2008-02-06 às 16:21:00 |
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